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Bolsonaro, o chanceler e o medo da abertura da assembleia da ONU

Bolsonaro, o chanceler e o medo da abertura da assembleia da ONU

O atual chanceler, Ernesto Araújo, não é uma figura lá muito regular dentro do histórico do Itamaraty.

Otimistas ou não, bolsonaristas ou não, muitos brasileiros estão apreensivos com a semana que se inicia. É que é difícil prever como se comportará o presidente Jair Bolsonaro durante o discurso inaugural da assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), agendada para esta terça-feira (24). Tradição desde a fundação da ONU, a fala do governante brasileiro é um momento ímpar para as relações internacionais do país. É quando o Brasil assume um protagonismo real no melhor palco possível para a diplomacia. Aí mora o risco da imprevisibilidade do nosso atual chefe do Executivo.

Não que tenhamos tido excepcionais oradores ao longo dos últimos anos. Luiz Inácio Lula da Silva tinha habilidade incrível para falar com o povo, mas não necessariamente a mesma desenvoltura na ONU – e olha que ele sempre foi bem avaliado. Dilma Rousseff nunca foi excepcional em sua oratória, porém não fez feio em qualquer uma das vezes que esteve em Nova York cumprindo esse papel. E Michel Temer, último a passar pelo Planalto, era bastante pomposo e rebuscado, então era de se esperar um discurso equilibrado. Para além de serem chefes de Estado mais ponderados, esses três tinham na Chancelaria a política com a qual o Brasil sempre foi reconhecido: a cautela nas relações exteriores.

O atual chanceler, Ernesto Araújo, não é uma figura lá muito regular dentro do histórico do Itamaraty. Pela primeira vez, em muitos anos, o ministro passa ao largo de ter respeito do corpo diplomático e tem cometidos sucessivas trapalhadas. Os devaneios sobre globalismo, climatismo e outros tantos “achismos” de Araújo dominam a pauta do Brasil nas relações com outros países depois das declarações controversas ao longo dos primeiros meses da atual gestão do governo. E resumem bem o quão delicado está o relacionamento brasileiro com o resto do mundo. O titular do Ministério das Relações Exteriores pode ser um nome expressivo para o conservadorismo brasileiro, para o guru Olavo de Carvalho e para o clã Bolsonaro. Para o resto do mundo, é quase um elefante numa loja de cristais, prestes a provocar um desastre inimaginável com um passo em falso – e até agora o Itamaraty esteve à beira de um precipício a cada bola fora dada por seu comandante.

Durante a transmissão no Facebook em que confirmou a presença e o discurso na ONU, Bolsonaro garantiu que não vai “brigar com ninguém”. Porém, até agora, as experiências internacionais do presidente se limitam a boa vontade com Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Com Emmanuel Macron, por exemplo, sobrou até para a primeira-dama da França. Se a verborragia do chefe de Estado brasileiro foi incontida em outras oportunidades e sem um chanceler que possa dar indicações mais moderadas de como proceder na diplomacia, o risco de o Brasil derrapar na abertura da assembleia geral não é pequeno. Por isso, todos estaremos na torcida para que não causemos incidentes que maculem a imagem construída ao longo dos anos. Afinal de contas, assim como quando Oswaldo Aranha fez a fala inaugural da Organização das Nações Unidas, o mundo inteiro estará de olho no Brasil.

 

Com informações do site Bahia Notícias

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