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Menores da fundação Casa fazem curso de programação no Facebook

Menores da fundação Casa fazem curso de programação no Facebook

O curso aconteceu na estação Hack, um espaço de tecnologia do Facebook e da empresa Mastertech.

Rafael* tem 17 anos, cresceu na periferia de Mogi das Cruzes e há quatro meses foi internado na Fundação Casa após ter sido apreendido por tráfico de drogas. A vontade de "ter as coisas fáceis" o levou para o mundo do crime, e esta, inclusive, é sua segunda internação.

Mas um final de semana fez tudo ser diferente. Rafael participou de uma imersão em programação, ao lado de 37 outros adolescentes internos da instituição. O curso aconteceu na estação Hack, um espaço de tecnologia do Facebook e da empresa Mastertech, que fizeram uma parceria com a Fundação Casa para receber os jovens.

E estes dois dias já transformaram sua vida e abriram caminho para um novo futuro, tanto que ele enche o peito de orgulho ao conversar com o R7 e falar das possibilidades abertas na sua vida, entre elas a de estar em semiliberdade.

"Foi da hora! Eu fui conversando com este monte de pessoas diferentes, vi uma oportunidade única na minha vida e resolvi me dedicar para mudar minha história", diz ele.

Rafael não foi o único. Gustavo, 16 anos, é de Limeira, seguiu conselhos da mãe para participar do curso e acabou se encantando.

"Eu sempre gostei de tecnologia. Meu sonho é ser engenheiro civil, porque sou apaixonado por matemática. Sempre tive facilidade com informática e acho que tudo tem muito a ver."

O curso que Rafael e Gustavo participaram pela parceria da Fundação Casa com o Facebook é voltado para adolescentes de escolas públicas e em situação de vulnerabilidade e oferece um treinamento completo em programação. A profissão é difícil porque exige atenção e domínio técnico fora de comum, tanto que existe uma demanda no mercado para profissionais programadores no Brasil.

"É um mercado que tem mais de 160 mil vagas preenchidas. Aqui, nós priorizamos oferecer este curso para quem pode menos. Então negros, mulheres, adolescentes em situação de vulnerabilidade e de escola pública têm preferência", diz Eduardo Lopes, diretor da estação Hack do Facebook.

Segundo Giselle Cruz, da Mastertech, empresa especializada em cursos de tecnologia, que é parceira do Facebook no projeto, o final de semana em que os jovens participaram é uma imersão completa em programação e internet para quem não tem nenhum conhecimento.

Após a experiência, Rafael e Gustavo decidiram se inscrever no curso avançado de programação, que é integral e ensina como programar aplicativos e criar websites.

Quando questionados sobre o que estão aprendendo, a rapidez com que respondem já revela que eles têm prestado muita atenção, apesar das dificuldades e de considerarem o curso difícil.

Rafael explica que está aprendendo sobre responsividade, a adequação de um site para qualquer dispositivo de acesso à internet, como celulares e computadores. Já Gustavo fala sobre o software em que desenvolve os códigos e destaca como eles se parecem com matemática.

Além do conhecimento e o interesse, os dois dão um passo importante para a ressocialização. Trabalho alvo das ações da Fundação Casa, que até o fim de maio atendia mais de 8 mil jovens infratores em suas diversas modalidades de atuação.

"Dos 38 que participaram do final de semana de treinamento, estes dois decidiram seguir e estão tendo seu futuro transformado. Um passo importante para a ressocialização, pois não importa se é um ou são dois. Esse é um trabalho qualitativo e não quantitativo", afirmou Fátima Kato, pedagoga que atua na Fundação Casa.

"Fui para o tráfico por conta de dinheiro, e o crime não dá futuro para ninguém. Aqui sou bem respeitado, não sou um qualquer um, e isso me faz querer vir para cá, trabalhar, conquistar minhas coisas e me dedicar neste curso para garantir meu futuro", concluiu Rafael, antes de voltar para o curso.

"É tudo difícil, mas como tenho muita facilidade com tecnologia, estou adorando. Quero me aperfeiçoar e aproveitar essa oportunidade para trabalhar na área e ter dinheiro para bancar meu sonho, que é a faculdade de engenharia", disse Gustavo, já projetando um emprego na área.

*nomes fícticios para preservar a identidade dos jovens

 

Com informações do site R7

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