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Mulher adotada aos 3 dias de vida preside entidade e adotou uma filha

Mulher adotada aos 3 dias de vida preside entidade e adotou uma filha

riada por uma mãe adotiva desde os três dias de vida, ela aprendeu cedo a relacionar afeto com verdade.

Quando criança, Luciana Namias Vicente via a vida com romantismo. Foi uma maneira saudável de lidar com o fato de nunca ter conhecido sua família biológica. Criada por uma mãe adotiva desde os três dias de vida, ela aprendeu cedo a relacionar afeto com verdade.

E em meio a tentativas, ainda que involuntárias, de decifrar o rosto de seus pais biológicos, enquanto brincava, antes de dormir ou nas festas familiares, foi aprendendo, com o tempo, a transformar essa imagem difusa, formada por pontos coloridos e misteriosos, em um lindo sonho. Como uma passagem, que fez de um possível trauma uma solução.

Que a levou até onde se encontra hoje, aos 45 anos: a ser mãe, inclusive de uma filha adotiva, e, psicopedagoga formada, presidente do Grupo Aquecendo Vidas, voltado à adoção, em Araxá (MG), onde vive.

No momento em que ela foi adotada, sua mãe, que já tinha um filho biológico de 8 anos, Mário, passara por dois abortos espontâneos e não poderia mais dar à luz. Atualizada em relação à legislação, Luciana conta que, nos anos 70, a prática do que hoje é conhecido como adoção não era comum.

"Fui adotada em 1973... Embora no Brasil na mesma época algumas pessoas já fizessem adoções legais, procurando a Vara da infância e Juventude, essa não era uma prática comum. Normalmente, quando alguém queria ou precisava entregar um filho, uma mulher não podia gerar ficava sabendo, recebia a criança e registrava em cartório como sua. Assim aconteceu comigo", diz.

Luciana afirma que, atualmente, uma adoção feita desta forma é considerada ilegal, justamente para garantir os direitos da criança.

"Mas, na década de 70, era uma prática comum e não havia legislação pra isso. Nasci em São Paulo e fui adotada com 3 dias de vida. Nunca soube a respeito da minha família de origem. Embora minha mãe adotiva nunca tivesse escondido a adoção. Sempre tratou o assunto com afeto, sinceridade e respeito pela minha mãe biológica, me ensinando também a respeitá-la e incluí-la na minha própria história, embora nunca tivesse informações claras ou precisas."

Gesto de adotar

E, em um gesto também intuitivo, quase como se fosse uma consequência natural de sua infância, ela não "sossegou" enquanto não adotou uma criança. Isso ocorreu em 2009, após ter tido a experiência de ser mãe biológica de dois filhos, André e Francisco, com 16 e 19 anos.

"Falar de adoção sempre fez parte do meu dia a dia e de forma leve, desde tenra idade. Com esse sentimento, cresci, me casei e sempre desejei ter filhos... se possível, biológicos, mas também pela adoção. Coincidentemente meu marido (Adriano, de 46 anos) concordava com a ideia. As razões dele não sei... Tivemos duas gestações, dois meninos, e então decidimos que a terceira seria pela adoção e seria uma menina", conta.

Mas apesar de ter vivido a adoção a vida toda, Luciana admite que, no momento em que foi adotar, percebeu-se com poucas informações sobre como era o processo, vivenciando tudo novamente, mas sob outro ângulo.

"Pasme, mas nós não fazíamos nem ideia de como seria adotar. Não sabíamos de todo o processo legal, da existência de Vara da Infância, etc... Só sabíamos que havia instituição de acolhimento e que lá estavam crianças que “poderiam” ser adotadas... Esta informação, alías, é inadequada na verdade, pois nem todas as crianças em instituições de acolhimento estão aptas para adoção", revela.

 
Foi quando ela viu Stefany, sua filha, pela primeira vez. A menina tinha cinco anos e meio, mas era como se os conhecesse desde o nascimento.

"Não queríamos bebês, e o desejo era de que fosse uma criança negra, até 6 anos de idade. Acho que esse “plano” era porque já havia passado pela experiência de maternagem de bebês e porque sabíamos intuitivamente que havia mais crianças maiores e negras para adoção do que bebês brancos."

Aprendizados eternos

Com Stefany, que hoje tem 15 anos, Luciana percebeu ainda mais que maternidade e adoção são aprendizados eternos. Alimentados por ensinamentos que devem ser repetidos e adaptados a cada momento. De seus pais Dilva e Moisés, que já faleceu, considera que colheu muitos frutos nesta árvore da vida. E procurou passar algumas dessas sementes aos seus filhos. São lições que ficaram para sempre.

"Com minha mãe aprendi que o amor se constrói dia a dia. Que filhos são da vida, não importa como chegam, passam por nós e seguem adiante levando o melhor que podemos oferecer e fazem seu próprio caminho. Também aprendi que é importante nunca ter vergonha de ser e mostrar quem você é. Quanto mais vergonha tiver, menos será aceita. Seja responsável e seja você... O que os outros dizem serve para ajudar na autoavaliação, mas, na verdade, não importa tanto."

Extrovertida, dizendo-se grata e privilegiada com o que a vida lhe proporcionou, ela admite que seu pai teve muita influência nesta postura de pensar sempre para frente, sem se prender a qualquer possível mágoa do passado. 

"Com ele, eu falava menos sobre adoção.... mas ele também foi muito especial na minha vida. Com meu pai aprendi a dirigir, sorrir da vida, brincar muito, passar roupa e ser feliz", diz, bem-humorada.

Dificuldades, ela não esconde que existiram. Mas como na vida de qualquer pessoa.

"Quando criança, via com naturalidade e uma pitada de romantismo: a mãe que me gerou não pode ficar comigo e a mãe que me adotou não pode ter uma filha biológica e queria uma e me adotou. Depois de adulta, um pouco do romantismo se foi... pode ser que a mãe que me gerou não quisesse um filho, mas ainda assim teve a dignidade de dar à luz e arcar com as consequências, entregando para outra família."

Todo o romantismo, no entanto, não exclui o fato de o processo de adoção ser difícil, regido por uma série de leis e procedimentos. Isso, ela aprendeu já na fase adulta, em um contexto totalmente diferente daquele quando foi adotada.

"Na verdade, só fui entender mesmo o que significa adoção a partir de 2014, com a criação do Grupo de Apoio a Adoção de Araxá e com a aproximação do Movimento Nacional de Grupos de Apoio...no que diz respeito à adoção, um bom preparo antes e o acompanhamento de um grupo de apoio depois, certamente fazem toda a diferença, especialmente quando se trata de adoções que chamamos de necessárias."

Um dia, Luciana sabe que Stefany e os irmãos, concretamente, irão se desligar dela. Seguirão seu próprio rumo, como ela. Deixarão a casa dos pais, no entanto, fortalecidos pelo amor que lhes foi dado. Como dizia o Legião, o caminho é um só. E, no ciclo da vida, é a postura a ser adotada.

 

Com informações do R7

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